Política: Uma Visão Optimalista

Assembleia da República

[para ver o artigo publicado na Revista eOptimismo (pág. 27) clique aqui > http://issuu.com/eoptimismo/docs/6___edi____o_revista_eoptimismo]

Para começar gostaria de citar Max Frisch, escritor suíço do início do século XX, que disse:

“Quem não se ocupa de política já tomou a decisão política de que gostaria de se ter poupado: serve o partido dominante.”

Esta afirmação ilustra bastante o status quo da relação dos portugueses com a política. Com as recentes eleições autárquicas ainda frescas na mente dos portugueses achei interessante desenvolver este tema mas no sentido de reflectir acerca da política em geral e do seu estado actual, como algo necessário, importante, essencial, presente e decisivo.

Para desenvolver aqui este tema vou precisar usar de um pouco de etimologia (ciência que investiga a origem das palavras, procurando determinar as causas e circunstâncias do seu processo evolutivo). É um grande palavrão mas é bastante relevante o seu uso, na medida em que tem grande importância na definição inicial necessária dos termos que coexistem no título deste artigo e que, pelos inúmeros condicionalismos introduzidos pela programação social, ao longo dos tempos, leva-nos a pensar, escrever e dizer coisas que não são bem aquilo que pensamos, nem são bem aquilo que queremos expressar. São só formas de falar mas que vêm o seu significado distorcido ao longo do tempo.

Há muitos erros de interpretação e de semântica na língua portuguesa, mas também noutras línguas, nomeadamente as que têm a sua origem no latim e no grego.

O que é a política?

A palavra política é originária da altura em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “polis“, nome do qual se derivaram termos como “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim “politicus” e chegaram às línguas europeias modernas através do francês “politique” que, em 1265 já era definida nesse idioma como “ciência do governo dos Estados“.

O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à Pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado como sociedade, comunidade, colectividade e outras definições referentes à vida urbana.

É simples entender que a política não é mais do que uma actividade, um conjunto de procedimentos ou tarefas realizadas, com vista à administração, organização e gestão de uma comunidade.

VotoO que é que não é a política? A política não são os partidos. Estes são apenas uma parte da actividade da política. A partidária. E as pessoas pensam que esta política é importantíssima… É importante na medida em que são as pessoas que escolhemos ou não que decidem sobre os destinos da nossa produtividade, do nosso dinheiro, da falta do mesmo, das leis e das normas, porque afinal vivemos numa democracia. Porque é que os portugueses se divorciaram da política nacional? Porque é que a taxa de abstenção das últimas eleições foi de 47,4%? Quase metade dos eleitores não foi votar! 4 499 906 votantes que se alhearam de participar. Também esses tiveram de tomar uma decisão política: “não vou votar porque detesto os políticos…”, “não votei porque não acredito em nenhum político…”, “não voto porque são todos uns corruptos…”

Podem até ter razão, na sua perspectiva, mas o desafio é que, as mesmas pessoas que não votaram, também não reclamem das decisões que o partido vencedor tomar quando estiver no comando. Esta afirmação invoca a citação de Max Frisch que fiz inicialmente. Quem já não ouviu ou até fez comentários do género “não quero saber de política”? O eleitor confunde política com político. É a mesma coisa que confundir um clube com um jogador ou uma fatia com o bolo inteiro… A verdade é que dependemos da política para tudo, desde as compras do supermercado, ao pagar a conta da luz, à escolha do infantário do miúdo. A mecânica da vida em sociedade baseia-se no processo político.

Política e cidadania significam a mesma coisa. A política é o esforço colectivo para existir organização na nossa vida. E penso que não seja coisa para desvalorizar e menosprezar. No fim de contas a responsabilidade por tudo na nossa vida é simplesmente nossa e se menosprezamos um aspecto que nos influencia, iremos ser manipulados e controlados durante toda a sua duração. De que vale termos liberdade de expressão, se nós próprios nos condicionamos desta forma? No livro “Política para não ser idiota”, Mario Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro, professores e filósofos brasileiros, escrevem “ao mesmo tempo em que meia humanidade está se beneficiando de avanços democráticos, boa parte das pessoas está enojada pela descoberta ou pelo avanço da corrupção (aliás, é discutível se ela realmente aumentou ou apenas se tornou mais visível).” E a questão é mesmo esta. As pessoas não confiam e por isso não votam. E tenho observado que, em geral, quem não vota demonstra menos cidadania. Reclama pelos seus direitos mas descarta os seus deveres.

Neste momento pergunto-me como melhorar ou ultrapassar isto? Penso que a chave está na educação. Educando os nossos filhos, alinhando-os com os mais importantes valores, as mais honradas atitudes e os melhores padrões de comportamento, pois os nossos jovens agora são os políticos e líderes de amanhã. A política não se faz com medidas superficiais. A política existe em casa, na nossa família, no nosso dia-a-dia. Na escola, na rua, no parque e no estádio. Fazendo uma boa política em casa, desde que os nossos filhos são pequenos, estaremos a transmitir um padrão de comportamento exemplar, como pais exemplares. Desta forma esta referência será utilizada no futuro, com toda a certeza. Um exemplo: se o meu filho me vê a deitar uma lata de sumo para o chão, o exemplo com que ele fica é que, se o pai (a sua referência de autoridade) deita lixo para o chão, ele também pode. Será esse padrão e essa atitude que ele assimilará para usar no futuro. Neste exemplo também se demonstra a política.

Política

Existem bons e maus políticos. Definem-se através da sua educação e da sua formação. A política, sendo só uma, também tem bons e maus aspectos, pois com a quantidade e variedade de personalidades de indivíduos numa sociedade, é completamente impossível agradar a todos.

Porque é que esta é uma visão optimalista? Se fosse simplesmente optimista eu poderia correr o risco de ser interpretado como detendo uma larga dose de ilusão e imaginação, e desviar-me um pouco da realidade. O Ser político é um Ser humano mas também é um Ser transitório porque está constantemente a ser substituído. Essa é a esperança das pessoas que compõe as sociedades. Que com o passar dos tempos surjam a fazer política pessoas consideradas verdadeiras e genuínas, com vontade de servir a sociedade e não se servir a si mesmo, de ser um indivíduo e não individual. E esta visão optimalista significa isso mesmo. Uma visão realista, baseada na acção, na mudança de paradigmas e ideais, na verdadeira liderança.

Milhões de portugueses escolhem os destinos do país… Escolhem sem votar… Como? Actuando em casa, na educação dos filhos. E estas escolhas condicionam o destino político e económico do nosso país.

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